O Espelho das Águas


Todo desconforto é um vento errante, sopro inquieto que desarruma as folhagens do jardim secreto que guardamos no peito. Ele atravessa as frestas da alma, sussurrando, em voz baixa, que o coração ainda é um peregrino em busca de remanso.

É apenas quando a superfície da vida se faz espelho — em uma serenidade absoluta — que as verdades decidem despir-se do abismo e emergir à luz, límpidas e inteiras. Pois a compreensão do que é real não suporta o clamor das tempestades; ela prefere bailar no silêncio dos lagos mansos, onde a alma, enfim, se reconhece.



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