O amadurecimento do processo decisório


Constantemente tomamos decisões, como, por exemplo: o que vestir, calçar, comer e o que é importante para nós, dentre tantas outras. Buscamos identificar as prioridades e selecionamos, ainda que inconscientemente, os recursos necessários à implementação das medidas que nos levarão ao nosso intento. Quando essas ações não nos aproximam do destino visado, reavaliamos o processo e, de acordo com as vulnerabilidades detectadas, adaptamo-nos, promovendo as mudanças ideais ou realizáveis para equilíbrio da situação. Ressalvadas as devidas diferenças quanto à natureza, o que muda no ambiente empresarial é que o processo decisório, embora nem sempre seja atividade solitária, tem um potencial extraordinário para se pautar por premissas neuróticas. Não que o indivíduo esteja livre do risco de apresentar quadros patológicos como esse, para os quais a medicina já oferece esperança, mas, no caso das empresas, a situação é especial porque tais neuroses somente permeariam as estratégias que visem à intervenção em dado fator do ambiente empresarial, dificultando o seu diagnóstico. Dito de outra forma, o gestor neurótico é perfeitamente capaz de tomar as decisões mais adequadas em sua vida privada e na maior parte das questões inerentes à empresa, no entanto, tomado por um sentimento de insegurança, geralmente não o admitindo, quando se depara com determinado aspecto do ambiente interno ou externo de seu negócio, sobre o qual não consiga exercer influência relevante, agiria com um nível de barbárie digno de nota. O lado bom é que no geral o empresariado é sensato e consegue enfrentar os desafios da vida empreendedora, buscando controlar as variáveis que interferirão em seu planejamento. Como se mantém sóbrio, desenvolve uma maior facilidade para encontrar alternativas e com isso reduz o tempo de resposta necessário à superação das eventuais adversidades. Já o outro grupo, o neurótico, não tem a mesma sorte, pois, seduzido pelo poder que fantasia possuir, poderia correr desesperadamente de um lado a outro, buscando atingir o monstro, a criatura aterradora que quando subjugada o deixaria livre de seus problemas, problemas esses, cujas raízes são, invariavelmente, fruto de sua imaginação. A despeito da seriedade do quadro, nem tudo está perdido, visto que, se a medicina não conseguir, ao menos, atenuar os sintomas, a natureza se encarregará de extirpar o mal, ou seja, o gestor pode sucumbir presa de seus desventurados estratagemas. Há que se reconhecer que a sensatez é a melhor estratégia para os empreendimentos, pois possibilita que o gestor se concentre naquilo que é relevante para o êxito de seus negócios, assegurando uma probabilidade crescente de ampliação da lucratividade por meio de um processo decisório de altíssima qualidade.



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