Ao examinarmos a história corporativa, principalmente em seus estágios iniciais, podemos ficar com a impressão de que antes era possível o vôo solitário, a construção de impérios a partir do próprio esforço, sem quaisquer outros recursos. Ledo engano, pois o que se passava era a falta de ênfase (teórica) na participação de pessoas nos processos, além dos demais recursos viabilizados ao longo do trajeto. O fato de a história da administração não o ter registrado (em suas origens) com o devido destaque, não significa que alguns dos grandes empreendimentos do passado tenham se erigido exclusivamente com a ação de seus idealizadores. Não se discute o papel dos empreendedores na organização de seus negócios, visto que não há planejamento sem a figura daquele que o esboce, mantendo-o atualizado. O normal é que, com a complexidade inerente aos negócios, sejam formadas equipes para o controle e desenvolvimento de cada uma das etapas dos projetos. Ora, se a participação de pessoas é inevitável, ainda que nem sempre reconhecida com o devido relevo, não seria mais apropriado que esses colaboradores fossem assumidos como parceiros na geração dos lucros? Alguns podem alegar que a diferença não seria de capital importância, pois, comprometidos ou não, desde que cumpram o que se espera deles, a empresa se viabilizaria. Proponho uma reflexão: em qual cenário os lucros seriam potencialmente maiores, conservadas em harmonia as outras variáveis, com colaboradores engajados ou quando são mantidos desmotivados, cuidando com descaso de suas atribuições, ou, quem sabe até, torcendo pelo fracasso do empresário? Objetivamente, sem recursos não há investimentos, sem colaboradores comprometidos não há empresas bem-sucedidas, ao menos, no longo prazo. A parceria mencionada pode ser adotada com relativa facilidade, sendo fundamental que um clima de aliança se consolide, o que se torna possível quando a relação se pauta pela sinceridade e camaradagem, em outros termos, com justiça. Utopia? Para alguns, talvez. Outros há que compreendem o valor dessa estratégia para o êxito de seus empreendimentos. Faz-se necessário o retorno à abordagem humanista que prevaleceu por algum tempo no panorama empresarial. A tecnologia e o senso de urgência que permeiam os negócios, ao que parece, induzem à robotização das relações e dos procedimentos, mas não é indispensável que assim permaneçam. Pelo contrário, podem se aperfeiçoar até o ponto em que seja gerada a máxima riqueza para os envolvidos. O ponto de partida pode se dar com a seguinte indagação: Que tipo de empresa desejo estruturar, uma em que a verdade seja o fio condutor das relações ou aquela em que essas se pautem por equívocos vários? Apenas se lembre de que você, empresário, é e sempre será o único responsável pelo desencadeamento dos resultados que o seu negócio apresentar. Contradição? Certamente, não. O gestor provoca. Todos acabam colhendo.
Os colaboradores como parceiros da empresa
Ariovaldo Esgoti
24/12/2007