O reflexo do fim da CPMF nos lucros das empresas


Após longo embate, cai a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPFM), já deixando saudades, pois o risco de os lucros não serem ampliados permanece e a malfadada não poderá mais entrar em cena para servir de bode expiatório. É interessante notar como rotineiramente age certa parcela do empresariado: se o dinheiro não entra automaticamente em seus bolsos, é preciso encontrar desesperadamente um culpado. Se nos perguntarmos por que algo não sai como idealizado, certamente, com alguma criatividade, encontraremos inúmeros motivos para explicação do fenômeno: tributos, governo, concorrência, tecnologia, capital... Alternativa melhor, seria, então, indagar sobre como podemos ampliar o nível de rentabilidade de nossos negócios. Essa abordagem possibilita que caminhos, antes ignorados, sejam percebidos, conferindo aos gestores recursos para as mudanças necessárias, sem as quais os lucros dificilmente deixariam a mediocridade. O pensamento estratégico é indissociável da lucratividade, ou de melhorias em quaisquer áreas, e dominá-lo é um processo relativamente simples, bastando que se desprezem as fórmulas, ainda que bem elaboradas, apresentadas por terceiros, privilegiando a sua própria faculdade de investigar e encontrar respostas. Naturalmente, há ocasiões em que o assessoramento (ou a orientação) pode ser requerido, mas abdicar, habitualmente, da descoberta em primeira mão não é atitude que se coaduna com a gestão empresarial eficaz e, particularmente, com a geração de resultados crescentes. Pensar estrategicamente é mais do que elaborar um detalhado planejamento, pois enquanto este pode muito bem não ser de utilidade alguma, se consultado apenas nas reuniões anuais, aquele é vital para a sobrevivência e competitividade. Quando os passos são dados com a segurança de terem sido calculados os riscos envolvidos, com o cuidado de preparar um plano B para situações especiais, mesmo que não haja garantia absoluta de êxito, a probabilidade de sucesso cresce expressivamente. Então, o que se pode concluir sobre o fim da CPMF? Bem, ou assumimos a direção de nossas empresas, com a implicação de que somos responsáveis pelos resultados, ou, imediatamente, devemos buscar outra justificativa para as perdas, pois a vilã não está mais disponível para a tomada dois. A despeito dos protestos, o filme prosseguirá sem ela.



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