O limite de nossas escolhas



Embora muito já tenha sido dito, escrito, ensinado sobre escolhas e liberdade, a propósito, como também acerca de outros dos temas importantes que nos tocam, aprecio sobremaneira a reflexão fundada na experiência direta do sujeito.

Isso não significa que eu despreze as contribuições de pensadores, estudiosos, poetas, mas que, acima de tudo, respeito o estágio atual de nossa própria jornada, afinal os raciocínios que contam, de fato, são os que elaboramos a cada passo.

Sem nos determos em teorias, ideologias ou suas variações, sobressaem-se duas leituras nesse tema. Há quem conceba o ser humano como privado de liberdade, não passando de ilusões as suas escolhas. E, noutro polo, quem perceba no humano a capacidade relativa de escolher.

Ou seja, para alguns, não haveria liberdade, sendo a vida um jogo de cartas marcadas ou encenação fantasiosa, enquanto para outros, ainda que estivéssemos sujeitos a restrições culturais, geográficas, legais, a liberdade poderia ser exercida sem maiores dificuldades.

O fato é que, inexistindo empecilhos patológicos, é impossível não escolher, já que isso implicaria na escolha de se colocar sob a direção de outrem, seja de um sujeito real, seja de uma abstração, mesmo que o controle viesse mediante instituições ou grupos políticos, jurídicos, empresariais, religiosos.

Assim, a questão que fica, considerando as muitas vozes que podem nos rondar, promover ou contaminar (aliás, desde bem cedo na vida) é: como saber o que realmente nos guia em nossas escolhas? Se o que nos move quase que na maioria das vezes são padrões inconscientes, como identificar, talvez até modificar, os valores e princípios incrustados em nós?

A tarefa é desafiadora, com certeza, mas pode ser empreendida, bastando que desenvolvamos a disciplina, a coragem de focar nossos movimentos mais íntimos. Afinal, se nos rendêssemos ao medo de nos conhecer de verdade, desperdiçaríamos um de nossos maiores dons.

Noutras palavras, quer avancemos com os recursos de que dispomos, quer recorramos a apoio especializado, a consciência do que somos, temos e fazemos é essencial para o exercício da liberdade passível de ser experimentada no dia a dia, o que, claro, se refletiria direta ou indiretamente em tudo o mais.



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