A reforma que conta



Você já teve a impressão de que a vida passa rápido demais e que, apesar de outrora parecer que demorasse, o ano mal começa ou se arrasta, quase sem que percebamos, viramos a página, a esquina e apenas um pouco além teremos mais um final de ciclo, outro festival de promessas, inclusive vazias?

São compromissos, preocupações, talvez investimentos, poupança, para muitos na verdade compras e mais compras, prestações e invariavelmente contas. Afinal, costumamos querer muitas coisas, das quais nem sempre precisamos, muitas delas descartamos, mas isso acaba, enfim, não importando.

Enquanto isso, aquele que um dia sonhamos ser vai ficando de lado, esquecido, abandonado, entediado, não raro desprezado, violentado, condenado a padecer em meio a tormentos, tendo como companheiros apenas os sentimentos de inadequação, desajuste, desamparo, no fim de solidão.

E pensar que a saída sempre esteve bem próxima, bastando a ousadia de olhar para si num espelho, mesmo que disfarçado de gente, família, amigos, colegas de trabalho, fantasias, distrações várias; inclusive de perdoar, perdoar-se, compreender, compreender-se, aceitar, aceitar-se, assumir, assumir-se.

Em outras palavras, de nada adianta insistir em fazer do lado de fora, sem que a reforma ocorra primeiro no íntimo, até porque, se experimentamos desentendimentos, embates, disputas, conflitos, guerras, quando não traições, mentiras, desrespeitos, preconceitos, não é difícil perceber o que de fato nos habita. Mas, não precisa continuar assim.



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