O eterno vir a ser


Parafraseando um ensino da tradição cristã, ocorreu-me: quem nunca teve dúvidas sobre o rumo de sua vida ou quem jamais receou estar aquém dos desafios de sua jornada, que atire a primeira pedra. Ou seja, assim como no episódio aqui implícito, provavelmente ninguém restasse para julgar ou condenar, pois todos correm o risco de padecer num ou noutro ponto das experiências... Lembro-me de que iniciei o ano me sentindo como que à deriva, já que, a despeito da razoável organização de algumas áreas, por exemplo, a saúde me inspirava cuidados, particularmente por um quadro que resistiu às minhas melhores investidas. Depois, foi interessante notar que, ao dedicar atenção a um tema que desprezara por décadas e que, então, ganhara relevo, experimentei uma genuína reconstrução, ao tempo em que os sintomas renitentes viravam poeira... Ao refletir, agora, sobre que palavra ou expressão poderia representar adequadamente o ano que se finda, percebi que o momento é de revolução ou, em outras palavras, de realizar (ou passar por) profundas mudanças, em benefício de quem posso me tornar, doravante, rendendo-me, como diria um antigo filósofo, ao eterno vir a ser. Que assim seja, enfim.