O diálogo nem sempre é o bastante


Por inúmeras razões todos corremos o risco quase que diário de errar ou nos equivocar em análises ou interpretações de fatos ou fenômenos ou mesmo pela insistência na manutenção de ideias questionáveis sobre o que seria moral ou eticamente admissível. Além disso, na hipótese de serem revistos velhos raciocínios ou padrões de comportamento, seria justo indagar sobre até aonde poderíamos ou deveríamos ir na defesa de convicções, valores ou princípios. No âmbito da licitude a conduta apropriada é de fácil identificação, contanto que se tenha adequado acesso às fontes que apoiariam ou não o intento. Mas, quando se tratam de temas fundados de forma enviesada na legislação, como, por exemplo, verifica-se com alguma frequência no conflito de interesses em setores da economia ou sociedade, que expõem a riscos ou efetivamente agridem o meio ambiente ou o bem comum, inclusive pela omissão ou corrupção, eu, que já fui um defensor ferrenho da pronta repressão a quaisquer opositores à letra da lei, tenho a algum tempo refletido a este respeito. Sim, passei a me questionar sobre se realmente seria devido o respeito à lei injusta ou a autoridades ou lideranças que subvertem o direito para obterem ou garantirem favores ou vantagens ou mesmo manterem cativas as suas vítimas. Devo admitir que a questão é por certo bem mais complexa do que pode parecer em princípio, inexistindo resposta pronta que dê cabo de cada aspecto, porventura, avaliado acerca do bem ou de nossa casa comum. Contudo, tendo a reconhecer a "mea culpa", pois outrora julguei apressadamente grupos que militam na defesa de temas que são desprezados pelos que imaginam ganhar com a destruição ou comprometimento de nosso entorno, colocando em grave risco tanto a nossa sobrevivência quanto a das demais espécies. Em outras palavras, afastando os excessos que vez por outra tais grupos cometem, inclusive ao ignorarem o direito de inocentes, de fato, há situações em que o diálogo apenas não resolveria o problema, sendo necessário que se resistisse à injustiça de forma mais vigorosa, até porque sua institucionalização tende a requerer o uso de ações bem planejadas.